
Toni Sando, presidente executivo do SPCVB
(foto: divulgação)
Antes de começar a falar em alguma reunião ou mesmo, expressar meu ponto de vista, observo os movimentos.
Faço isso também quando viajo, aliás quem trabalha ou já trabalhou na hotelaria ou na organização de um evento, mesmo nas férias, tem sempre o hábito de observar tudo que acontece à sua volta.
Observo também outros movimentos na natureza.
Pássaros, por exemplo.
Aliás para quem gosta, a dica é uma visita à Fundação Maria Luiza e Oscar Americano, no Morumbi, que abriga a maior concentração e variedade de pássaros a céu aberto de São Paulo e é aberta ao público.
Quando trabalhamos no terceiro setor o exercício em observar tudo ao redor é ainda mais intenso.
Às vezes temos que ouvir, às vezes nos posicionar, às vezes questionar.
Seja lá como for a presença, ela é fundamental, porque a missão de quem atua em entidades é representar com legitimidade seus representados.
São tantas palestras, reuniões, comitês, encontros, fóruns, que nas minhas reflexões começo a viajar, como os pássaros (ou aves).
Aliás, todos os pássaros são aves, mas nem todas as aves são pássaros.
Assim como nem todos que dizem representar uma entidade, representam de fato… Mas esta é outra história.
Como diria Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra. É por isso que é sempre bom participar de encontros e ouvir opiniões consistentes e até pontos de vistas divergentes, de preferência com argumentos bem elaborados.
O que me chama a atenção no comportamento da gaivota, por exemplo, (que é mais ave, do que pássaro), bonita e gloriosa, voa, e mirando seus objetivos, sem querer, ou querendo, faz suas necessidades fisiológicas sobre nossas cabeças, e sem o menor constrangimento continua sua rota.
O problema é para quem fica embaixo. Perde-se a concentração e de uma hora para outra, não sabe mais o que fazer com aquilo.
Em muitas reuniões acontece quase a mesma coisa.
Tem gente que aparece do nada, solta sua opinião no ar, sem disposição para ouvir ou parar para entender o que o grupo já fez, ou interesse em ouvir o que está planejado. Simplesmente carimba e continua voando normalmente para o alto e além.
O que fica é a sensação perversa do E agora José?
Ignorar, continuar, limpar ou recuar?
O beija-flor tem uma característica bem mais interessante.
Ele passa rápido, muito rápido entre uma flor e outra, e com 90 batidas por segundo, ele consegue transportar pólen entre as flores e contribuir por onde voa.
Contaminar positivamente é a virtude dos bem intencionados.
Senão, ao invés de parecer uma bela gaivota, fica mais parecido com um pombo, o que é muito pior, pois além de deixar sujeira, transmite doenças e enfraquece o coletivo.
De nada adianta parecer ser uma gaivota ou gavião nos próprios negócios, e não pensar coletivamente e no bem estar de todos.
É muito bom trabalhar com pessoas, que como um beija-flor, passam em nosso jardim, contribuem disseminando energia e estimulando o crescimento do bem comum.
Compartilhar ideias e energia é tudo de bom.
*Toni Sando é presidente executivo da Fundação 25 de Janeiro – São Paulo Convention & Visitors Bureau. Administrador de Empresas com MBA em Gestão Empresarial. Sócio da TSM Assessoria e Gestão de Negócios, palestrante e professor de Marketing, Gestão de eventos e Tendências. Atuou em marketing, vendas, produtos e operações no mercado financeiro, administradora de cartões de crédito e em rede hoteleira.
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