De Belém, Pará
Moderno centro de eventos de Belém, o Hangar foi a sede escolhida para o Festival
(fotos: Délia Coutinho e Agência Pará)
Se Belém por si só já é uma festa para o paladar, imagine então que a vocação gastronômica da terra do tucupi, do açaí e de tantas outras iguarias ganhou ainda mais brilho com o 1º Festival Internacional do Chocolate & Cacau da Amazônia. O evento aconteceu de 12 a 15 de setembro, no centro de exposições Hangar, reunindo um público estimado de 15 mil pessoas, que circularam por entre os quatro dias.
A produção foi da M21 Produções, empresa de Ilhéus (BA) responsável por exportar o Festival realizado há cinco anos no Sul da Bahia para a capital do Pará. O publicitário Marcos Lessa, proprietário da M21 e idealizador do Festival, explica que ‘já era a hora de expandir o evento para outras regiões. E o local escolhido não poderia ser outro senão o segundo maior estado produtor de cacau do País”.
O modelo foi o mesmo que já é consolidado em Ilhéus: momentos para discussão sobre o cacau e o chocolate como negócio, estandes de expositores com venda e degustação, minicursos, workshops. Nessa primeira edição, o evento atraiu a família paraense pelo conceito de entretenimento. A partir do próximo ano, a intenção é que o Festival entre com mais força no calendário do turismo de eventos paraense, atraindo mais visitantes de outros estados e países.
Governador do Pará, Simão Jatene, Marcos Lessa, organizador do evento, e Raimundo Mororó, da Mendoá Chocolates (BA)
O mercado de cacau no Brasil
Chamado de Chocoday, o dia dedicado às palestras foi aberto com o painel “Perspectivas da Industrialização do Cacau no País”. Integrante da mesa, o superintendente da Ceplac Pará, Jay Wallace, informou que o Brasil é o terceiro mercado de chocolate do mundo, todavia ainda é um pequeno consumidor. “A Alemanha tem um consumo per capita muito maior. Queremos contribuir para ampliar esse hábito saudável que é comer chocolate. Hoje é comprovado que o cacau tem propriedades benéficas para a saúde”, declarou ele, lembrando que um dos benefícios do cacau é o seu alto potencial antioxidante. E se o consumo interno cresce, aumenta também o desejo dos fabricantes de investirem na ampliação da produção.Com base em pesquisas de mercado, o superintendente da Ceplan crê que o mercado internacional demandará muito mais o cacau brasileiro daqui a 10 anos. “Nesse cenário o Pará surge como produtor em potencial para suprir essa demanda”, acredita Wallace.
Cacau e Turismo
Noutro estágio, a Bahia, terra com 25 mil produtores, já tem no cacau e no chocolate um potencial produto turístico, após se afastar do estigma da vassoura de bruxa. A terra de Jorge Amado tem no fruto um filão a explorar, bastando apenas um bom planejamento e divulgação. “Em parceria com o Governo do Estado foi criada a Estrada do Chocolate. Uma rota com fazendas coloniais, fábricas de chocolate, biofábricas. Estamos na fase de cadastramento dos estabelecimentos, após virá a capacitação, implantação de sinalização turística, até chegarmos a um produto de excelência que possa ser lançado”, contou Marcos Lessa. Ele acredita que o lançamento oficial da Estrada do Chocolate será o grande chamariz do Festival no próximo ano.
Proprietário de um dos pontos da rota que tem 40km de extensão, Raimundo Mororó, da Mendoá Chocolates, afirma que a procura de visitantes é intensa, mesmo sem propaganda. “A todo momento recebemos pedidos de visitas de grupos de estudantes, pesquisadores, turistas. Todo mundo quer conhecer uma fábrica de chocolate premium dentro de uma fazenda de cacau”, disse.
Já no Pará, as distâncias entre as principais fazendas dificultam a implantação de um roteiro temático, mas a Ceplac não elimina essa possibilidade. “Nas cercanias de Belém há zonas produtoras. Esse é um nicho de oportunidade para a Ceplac e a Setur Pará”, considerou Jay Wallace.
Confira galeria de fotos do evento:
Serviço
www.festivaldochocolate.com
* A repórter do Hôtelier News viajou a Belém (PA) a convite da organização do evento